Quem nunca ouviu alguém dizer que determinado alimento é “permitido” e outro é “proibido”, não é mesmo? Essa é uma fala muito comum quando o assunto é alimentação saudável, emagrecimento ou mudança de hábitos. Porém, apesar de parecer inofensiva, essa forma de classificar os alimentos pode trazer consequências importantes para a relação que uma pessoa desenvolve com a comida.
Quando colocamos os alimentos em categorias rígidas, como “bons” e “ruins”, “certos” e “errados”, “pode” e “não pode”, a alimentação deixa de ser um espaço de cuidado e passa a ser um lugar de culpa, medo e cobrança. Com o tempo, isso pode tornar o ato de comer mais pesado, gerando ansiedade antes das refeições, culpa depois de comer e a sensação constante de que é preciso compensar o que foi consumido.
A verdade é que os alimentos não precisam ser vistos como inimigos. Cada um pode ter um contexto dentro de uma alimentação equilibrada. Um doce em uma comemoração, uma pizza em um encontro com amigos ou uma refeição diferente em um momento especial não anulam todos os cuidados que você tem com a sua saúde. Alimentação saudável não é sobre perfeição, é sobre constância, consciência e equilíbrio.
Quando existe uma proibição muito rígida, é comum que aquele alimento passe a ocupar um espaço ainda maior no pensamento. A pessoa tenta evitar, resiste por muito tempo e, em alguns casos, quando finalmente come, sente que “perdeu o controle”. Esse ciclo pode favorecer episódios de restrição, exagero alimentar e até compulsão, além de prejudicar a autonomia nas escolhas.
Por isso, trabalhar o comportamento alimentar é tão importante. Mais do que perguntar apenas “o que eu posso comer?”, vale refletir: como eu me sinto ao comer? Eu consigo perceber minha fome e minha saciedade? Eu sinto culpa quando consumo determinados alimentos? Eu costumo compensar uma refeição com restrição no dia seguinte? Essas respostas dizem muito sobre a forma como você se relaciona com a comida.
Isso não significa que todos os alimentos precisam estar presentes da mesma forma na rotina, nem que não existam cuidados específicos. Em casos de doenças, alergias, intolerâncias, alterações metabólicas ou outras condições de saúde, alguns alimentos podem precisar ser reduzidos, evitados ou ajustados conforme a necessidade individual. Por isso, é fundamental seguir sempre as orientações do seu nutricionista e do seu médico.
Uma alimentação saudável deve cuidar do corpo, mas também precisa respeitar a sua história, sua rotina, seus sentimentos e sua vida social. Comer bem não deve ser sinônimo de viver em alerta, contando erros ou se punindo por escolhas alimentares. O caminho pode ser mais leve, possível e gentil.
Se você sente que vive entre restrições, culpa e exageros, talvez seja hora de olhar para a sua alimentação com mais acolhimento. O acompanhamento nutricional pode te ajudar a construir uma relação mais tranquila com a comida, sem terrorismo alimentar e com escolhas que façam sentido para a sua saúde.
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